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SALÁRIO, FATOR COMPETITIVO Remuneração variável motiva funcionários e se transforma em tendência na empresas A inserção do Brasil no mercado global transformou a competitividade em palavra de ordem entre as companhias brasileiras. Um dos seus efeitos mais visíveis foi a terceirização – substituição de postos de trabalho por empresas contratadas a custo menor, movimento que foi febre nos anos 90. Outra mudança, menos comentada, deu-se na estrutura das empresas: o enxugamento das posições hierárquicas, tornando o papel público interno mais dinâmico e flexível o que, freqüentemente, exige dos colaboradores um currículo menos tradicional e mais multidisciplinar. Mas se a promoção se torna cada vez mais peça de relíquia, as companhias em todo o mundo se deparam com um novo desafio nesse início de século: como motivar pessoas sem movimentá-las na estrutura de cargos e posições da empresa? A resposta, que desponta como tendência entre as grandes corporações, chama-se remuneração variável e sua ferramenta mais popular são os programas de Participação de Lucros e Resultados (PLR). A idéia por trás do conceito é simples, distribuir a lucratividade entre os funcionários. Analises do mercado são unânimes ao comentar que os colaboradores passam a sentir-se mais valorizados e envolvidos com os objetivos da companhia. Tornam-se mais produtivos e passam a contribuir para o cumprimento de metas e objetivos definidos pela direção e pelos acionistas. Mesmo assim, para falar de empregos e salários no Brasil é preciso olhar atentamente aos números do IBGE, um conjunto de índices pouco animadores. Nos últimos 25 anos, o crescimento da economia, de 2,1% ao ano, demonstrou-se incapaz de gerar postos de trabalho em quantidade suficiente para absorver a oferta de mão-de-obra. Este dado é, em grande parte, responsável pelo aumento do desemprego, que saiu de uma taxa de 2% em 1980 para 9,7% em 2005, e pelo crescimento da informalidade. Em 1980, 66% dos trabalhadores eram assalariados, hoje apenas 50% têm carteira assinada. Outros fatores são as reduções na renda da população economicamente ativa, de 11% entre 1996 e 2003, e a precarização das relações trabalhistas, que leva os funcionários a aceitar condições piores de trabalho para manter seu emprego. A adoção em massa de programas de remuneração variável pode ser a resposta do empreendedorismo a esse cenário, para que empresários e a sociedade caminhem juntos, visando o desenvolvimento de comunidades e países.
Fonte: Revista Empreendedor/ Agosto de 2006
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