Participação nos resultados supera reajuste entre pleitos
Patrícia Acioli
Trabalhadores e patrões encontram vantagens em uma nova ‘moeda’ posta nas mesas de negociação, a Participação de Lucros e Resultados (PLR). Segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o benefício é a reivindicação número um dos trabalhadores da indústria, ultrapassando até o reajuste real dos salários.
No ano passado, das 87 paralisações no setor metalúrgico, 29, ou 33,7%, foram motivadas por impasses na concessão da PLR. Já do total dos 299 movimentos grevistas de 2005, a participação nos lucros foi a terceira principal motivação, perdendo apenas para o reajuste salarial e o auxílio-alimentação.
A indústria foi o setor em que houve o maior número de acordos coletivos entre sindicatos e empresas para o pagamento PLR no ano passado. Segundo o estudo, dos 123 acordos coletivos fechados em 2005, 73,2% foram na indústria, sendo que as metalúrgicas responderam por 36,6% desse total.
Empregador
O diretor do Departamento Sindical da Parte Negocial da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Roberto Ferraiuolo, conta que a partir do ano seguinte da edição da medida que estabeleceu a PLR, em 1994, o setor químico já utilizava o benefício como instrumento de negociação. “Nós não só defendemos, como também, praticamos a PLR”, diz Ferraiuolo. O diretor da Fiesp admite que, ao conceder a PLR, as empresas têm seus encargos suavizados, o que se torna uma vantagem para todos os lados, patrões e trabalhadores. “Sempre defendemos um sistema negocial seja ele qual for na relação trabalho-capital”.
Trabalhadores
Se por um lado os empregadores preferem esse caminho para acrescer a base de salário dos trabalhadores sem incorrer em maiores encargos, o movimento sindical vê nisso a oportunidade de exercer maior influência nas decisões de administrativas da empresa.
Segundo o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, o principal aspecto desse instrumento negocial está menos centrado na distribuição dos valores e mais no potencial político que ele pode dar aos trabalhadores para tomar decisões sobre os rumos da empresa.
“Mas defendemos que ela seja negociada em separado da data-base para não haver confusão. A PLR não é aumento real de salário”, ressalta o presidente da entidade.
Segundo o sindicalista, a negociação da PLR abre a possibilidade de o trabalhador participar mais das decisões ligadas diretamente ao seu dia-a-dia.
Fonte: DCI